segunda-feira, 28 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
Os alimentos mais saudáveis do mundo
Thiago Cid para Época
Doutorado em nutrição pela Universidade Clayton pela Saúde Natural, o psicólogo Jonny Bowden dedica-se à pesquisa dos alimentos há duas décadas. Além do livro Os 150 Alimentos mais Saudáveis do Planeta, ele vai lançar, no fim do mês, a obra As Refeições Mais Saudáveis do Mundo. "Quero dizer às pessoas que é possível comer bem, sofisticadamente, explorando inúmeras nuances de sabor e ainda assim ser saudável", diz. Em entrevista a ÉPOCA, o autor explica como fez a extensa pesquisa que deu origem ao livro e revela quais são os alimentos menos saudáveis, dos quais devemos manter a maior distância possível.
ÉPOCA - O senhor dedicou muito de sua vida à pesquisa dos alimentos. Qual é sua relação com a comida?Jonny Bowden - A comida é como os amigos. Assim como há o tipo de amigo com quem você pratica esportes, há aqueles com quem você vai a museus, com quem você troca confidências. Assim são os alimentos. Alguns possuem altas concentrações de proteínas, mas são pobres em fibras. Alguns são ricos em antioxidantes, mas não possuem Omega 3.
Precisamos de uma grande variedade de alimentos - assim como de amigos - para conseguir tudo de que precisamos. O segredo é a variedade de bons alimentos. A minha lista (confira abaixo) considera alimentos que normalmente não pensamos em comer. É como um investidor que percebe a existência de uma boa aplicação que era subestimada e não fazia parte de sua carteira. Não quer dizer que são os melhores ou os únicos, mas são muito bons e não recebem a devida atenção.
ÉPOCA - Como o senhor fez a lista com os 150 alimentos mais saudáveis? Bowden - Meus assistentes e eu pegamos todos os alimentos naturais possíveis e comparamos seus valores nutricionais. Quais possuíam o maior nível de determinado nutriente, quais possuíam a maior variedade de nutrientes? Quais tinham baixos níveis de nutrientes? Fiz isso com todos os vegetais, todas as fontes de proteínas, todos os grãos - apesar de não haver muitos, selecionei os mais consumidos, com menor potencial para causar alergias e com um alto teor de proteínas. Baseados nesses parâmetros, fomos diminuindo a lista. Mas 150 alimentos é um número muito grande. Cotidianamente, as pessoas comem cerca de 10 a 15 alimentos apenas.
ÉPOCA - Quais são os melhores grãos? Bowden - Recomendo a quinua. Apesar de ser uma semente, e não um grão propriamente dito, tem o sabor e o preparo parecido com o de um grão. A quinua contém muitas fibras e proteínas. Também gosto de aveia integral, que tem muitas fibras, proteínas, altas concentrações de minerais e pouquíssimo açúcar.
ÉPOCA - Em que as pessoas devem prestar atenção na hora de comprar alimentos? Bowden - Você deve escolher alimentos que passaram por pouco ou nenhum beneficiamento depois da colheita. Quanto mais colorido, melhor, porque a cor é a forma como a natureza põe os nutrientes na comida. Azul, amarelo, verde, vermelho... As cores representam os componentes mais nutritivos dos alimentos.
ÉPOCA - Os alimentos orgânicos são sempre melhores? Bowden - Em um mundo ideal, os orgânicos serão sempre melhores. No mundo real, no entanto, as coisas não são necessariamente assim. Não sou tão radical quanto alguns nutricionistas. Primeiro, porque produtos orgânicos são sempre mais caros. Em segundo lugar, alguns alimentos - como o abacaxi e a banana - possuem cascas grossas como proteção, que são descartadas para o fruto ser comido. Nesse caso, não faz tanta diferença se o produto é orgânico ou não. Se eu tiver de gastar meu dinheiro com alimentos orgânicos, vou escolher aqueles mais propensos a acumular pesticidas, como morangos, tomates e verduras.
ÉPOCA - Além desses que o senhor mencionou, quais produtos orgânicos que você compra? Bowden - Além dos que citei, eu diria carne, peixe e café, porque podem conter níveis elevados de produtos químicos.
ÉPOCA - Por que as pessoas comem menos alimentos saudáveis do que deveriam? Bowden - Porque os alimentos industrializados têm um gosto muito bom. A indústria adiciona muito açúcar e sal nos alimentos, intensificando as nuances de sabor. Encontramos comidas com dosagens inconcebíveis de adoçantes e sal. São alimentos vendidos em qualquer lugar, com comerciais em todas as mídias possíveis. As pessoas são seduzidas pelo sabor, pelos estímulos sugeridos nos comerciais. Isso cria uma cultura em que essas comidas se tornam o padrão. É como um vício em drogas. Nos Estados Unidos, uma pessoa comum está exposta a 95 mil comerciais a cada ano, e a maioria deles é de comida.
ÉPOCA - Em seu livro, o senhor afirma derrubar vários mitos sobre a comida. Quais são eles? Bowden - Um é que carne é sempre ruim, outro é que soja é sempre bom. As comidas de soja encontradas nos EUA são muito diferentes das que fazem parte do cardápio oriental. A soja tem várias lacunas nutricionais. Não é porque a comida foi feita à base de soja que ela é saudável. Carne de soja, sorvete de soja. Não são comidas saudáveis nem prejudiciais. São alimentos neutros, cujo valor nutricional não é nada excepcional. Muitas pessoas comem alimentos feitos com soja pensando que estão proporcionando um grande bem ao organismo, mas na maior parte das vezes é puro marketing. Recomendo produtos de soja fermentados. Tudo que é natural e fermentado é bom, porque o processo de fermentação cria bactérias que são muito úteis ao organismo. Infelizmente a maior parte dos produtos de soja não é fermentada, mas industrializada. Não quer dizer que sejam alimentos ruins, mas não são exemplos de comidas nutritivas.
Confira a lista dos alimentos para os quais damos pouca atenção, mas deveriam freqüentar o nosso prato mais vezes.
1- Sardinha: é rica em proteínas e possui minerais essenciais, como magnésio, ferro e selênio, que têm ação anticancerígena. Esse tipo de peixe também ajuda o organismo a liberar o mercúrio e tem altas concentrações de omega 3, um tipo de gordura “boa”, essencial para o funcionamento do cérebro, do coração e para a redução da pressão arterial. As sardinhas são chamadas de “comida saudável em lata” por Bowden, que aconselha que sejam compradas as preservadas no próprio óleo ou em azeite, quando não puderem ser consumidas frescas.
2- Repolho: as folhas do vegetal contêm grandes concentrações de substâncias antioxidantes e anticancerígenas chamadas de indoles e sulforafanos. Uma pesquisa da Universidade de Stanford, nos EUA, apontou que o sulforafano é a substância química encontrada em plantas que mais eleva o nível de enzimas anticancerígenas no organismo.
3- Folha de beterraba: geralmente jogada fora, é rica em vitaminas, minerais e antioxidantes. Contém carotenóides, pigmento natural dos vegetais que ajuda a proteger os olhos contra o envelhecimento. Bowden também afirma que a beterraba em si também é um dos alimentos mais ricos que existem. As folhas podem ser comidas cruas na salada ou refogadas, como espinafre.
4- Açaí: em suco ou misturado à comida, como é feito no norte do país, o açaí é uma das frutas com maior concentração de antioxidantes. Também é rica em gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas, que são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim e na prevenção de doenças cardíacas. Para Bowden, os brasileiros que não consomem a fruta freqüentemente desperdiçam a benção que a natureza lhes proporcionou.
5- Goiaba: rica em fibras, minerais e vitaminas. Também possui grandes quantidades de licopeno, o mais antioxidante entre todos os carotenóides. O licopeno auxilia na prevenção do câncer de próstata e reduz os riscos de surgimento de catarata e doenças cardiovasculares.
6- Cereja fresca: tem altas concentrações de antocianina, um antiinflamatório natural. Deve ser comida ao natural ou misturada com iogurte ou vitaminas.
7- Chocolate meio-amargo: rico em flavanóides, que diminuem a pressão sangüínea e promovem o bom funcionamento do sistema circulatório, tem altas concentrações de magnésio, um mineral importante para mais de 300 processos biológicos do organismo.
8- Frutas oleaginosas: são as castanhas, as nozes e as amêndoas. Bowden afirma que todas trazem inúmeros benefícios, apesar do elevado teor calórico. Possuem muitos minerais, proteínas e altos níveis de Omega 3 e Omega 9.
9- Canela: ajuda a controlar o nível de açúcar e de colesterol no sangue, o que previne o risco de doenças cardíacas. Para usufruir dos benefícios da especiaria, basta polvilhar um pouco de canela em pó no café ou no cereal matinal.
10- Semente de abóbora: é uma grande fonte de magnésio. Esse mineral é tão importante, explica Bowden, que estudiosos franceses concluíram que homens com altas taxas de magnésio no sangue têm 40% menos chances de sofrer uma morte prematura do que aqueles com baixos índices. Para consumi-las, toste-as no forno e coma-as por inteiro, inclusive com a casca, que é rica em fibras.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Vida saudável muda ativação de genes em homens com câncer, diz estudo
Pesquisa mostrou alteração positiva em mais de 500 trechos de DNA de pacientes.
Exercício físico, dieta melhorada e controle do estresse parecem ser responsáveis.
A ação benéfica de alimentação adequada, controle do estresse e exercício físico regular é capaz de mudar para melhor o sistema de ativação dos genes de uma pessoa, afirma um novo estudo. Pesquisadores americanos estudaram homens com câncer de próstata que alteraram seu estilo de vida e viram que o fenômeno afeta áreas "protetoras" de seu DNA.
Em estudo na revista científica "PNAS", Dean Ornish e seus colegas do Instituto de Pesquisa sobre Medicina Preventiva, na Califórnia, fizeram biópsias de próstata de 30 homens que são portadores de uma forma de baixo risco de câncer de próstata. Amostras obtidas quando a doença foi diagnosticada e outras retiradas três meses após a mudança no estilo de vida dos pacientes foram examinadas em busca de alterações moleculares importantes.
Os pesquisadores observaram uma alteração na expressão (grosso modo, o padrão de ativação ou desativação) de mais de 500 genes. Alguns trechos de DNA ligados à prevenção de doenças ficaram superativos, enquanto alguns dos chamados oncogenes, ligados à evolução do câncer, foram silenciados.
Segundo os pesquisadores, mais estudos são necessários para comprovar o efeito benéfico em pacientes com câncer e na população em geral.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Refeições equilibradas contribuem para a longevidade dos japoneses
Professora de etiqueta diz que japonês come com os cinco sentidos e sabe apreciar sabor.
Do G1, com informações do Jornal Hoje
O equilíbrio na hora das refeições é um fator que contribui para que os japoneses apareçam em primeiro lugar no ranking da longevidade: eles vivem em média 82 anos. Os brasileiros ocupam a posição de número 80 na lista, vivem em média 72 anos.
Uma das explicações para tanto fôlego entre os japoneses é o equilíbrio na hora das refeições. “O que se serve é a quantidade determinada; comeu, acabou. Não é errado, mas é feio pedir pra repetir”, explica o médico geriatra Toshio Chiba. “‘Se você comer 80% da capacidade do seu estômago, não precisa de médico’. Isso é uma frase japonesa que é muito sábia”, ele diz.
Sem pressa e sem se empanturrar, dá até para entender o uso dos hashis, os palitinhos que servem como talher. “É uma refeição feita lentamente, justamente por isso é que usamos o hashi. Na realidade, nós não temos condições de pegar com o hashi uma porção maior do que uma bocada”, explica a professora de etiqueta Lumi Toyoda.
Lumi explica que, antes de comer, o japonês já começa a apreciar a comida. "Apreciamos com os olhos, sentimos o aroma, o paladar, o tato, e também a audição – todo o barulho que se faz na hora da refeição. Nós comemos com todos os sentidos”, ela diz.
Comer devagar, apreciando o sabor, é uma regra básica da boa nutrição. Mas para que os alimentos realmente façam bem pra saúde, é preciso ainda acertar na escolha e na forma de preparar a comida – e também aí os japoneses têm muito a nos ensinar.
A nutricionista Eliane Kina explica que no Japão ninguém come sushi – o rolinho de peixe cru com arroz – todos os dias. Ela ensina a preparar o teishoku, uma espécie de “prato-feito” japonês, bem balanceado com arroz, que fornece energia pelos carboidratos; legumes, que são os reguladores, as fibras; e o peixe, que é fonte de proteína.
Eliane ainda acrescenta: “O japonês come muito mais peixe do que carne. O interessante disso é que a carne tem gordura saturada e o peixe tem a Ômega 3, boa para reduzir o colesterol e triglicérides, reduzir as doenças do coração”.
Também comuns na culinária japonesa, as algas são desintoxicantes e têm muito iodo, que ajuda a prevenir as doenças da tireóide. “A alga ajuda a acelerar o metabolismo, contribuindo para o emagrecimento”, diz a nutricionista.
Mas é mesmo a soja a grande estrela de uma das culinárias mais saudáveis do mundo. “A soja ajuda a diminuir os desconfortos do climatério, as ondas de calor da menopausa, tem uma substância que previne a osteoporose e ainda ajuda a diminuir o câncer de próstata e útero”, ensina Eliane.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Expressar sentimentos num blog faz bem à saude, diz pesquisa
Em fevereiro, um estudo na França com pacientes com cancer indicou que os que se envolveram com a escrita logo antes do tratamento se sentiram melhor, mental e fisicamente, do que os que nao fizeram isso. Ainda segundo a materia, blogar pode liberar dopamina, um neurotransmissor que estimula o sistema nervoso central, da mesma maneira que outras atividades como ouvir musica, correr ou ver obras de arte. E ainda mais, a possibilidade de resposta imediata oferece a quem escreve o beneficio de encontrar outras pessoas em situaçao similar. Dica do Gawker, via BlueBus.
Por Gustavo Barreto.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Cirurgião-pianista afirma que música cura gerando hormônio de crescimento
27/05/2008 - 18h20 - Atualizado em 27/05/2008 - 19h21
Pesquisa realizada por residente médico de Harvard desafia teorias estabelecidas.Ironicamente, música poderia ajudar pacientes estimulando resposta de estresse.
Para Claudius Conrad, um cirurgião de 30 anos de idade que toca piano desde os cinco, música e medicina estão entrelaçadas — desde o mundo acadêmico até o nível da destreza necessária ao banco do piano e à mesa de operações.
“Se não toco por dois dias”, diz Conrad, um residente de terceiro ano em cirurgia na Escola Médica de Harvard que também possui doutorado em biologia de células-tronco e filosofia da música, “não consigo sentir as coisas tão bem quando estou em cirurgia. Minhas mãos não ficam tão suaves com o tecido. Elas não ficam tão sensíveis à reação que o tecido proporciona”.
Como muitos cirurgiões, Conrad diz trabalhar melhor quando escuta música. E cita estudos, incluindo alguns de autoria própria, que mostram a ajuda da música inclusive para os pacientes — trazendo relaxamento e reduzindo pressão sanguínea, batimentos cardíacos, hormônios do estresse, dores e a necessidade de medicamentos para a dor. Considerando-se que a música cura, como isso acontece? Os caminhos fisiológicos responsáveis mantêm-se obscuros, e a busca por um mecanismo de fundamento pouco tem se movido.
Agora Conrad está tentando mudar isso. Ele publicou recentemente um artigo provocador, sugerindo que a música pode exercer a cura e efeitos sedativos parcialmente por uma paradoxal estimulação de um hormônio de crescimento geralmente associado ao estresse.
Esse pulo nos hormônios de crescimento, diz John Morley, endocrinologista do Centro Médico da Universidade de St. Louis que não estava envolvido no estudo, “não é o que você esperaria, e não tem um significado precisamente claro”. Mas ele disse que isso levantou “algumas novas e admiráveis possibilidades sobre a fisiologia da cura”, e acrescentou: “E é claro que isso tem um tipo de círculo metafórico. Costumávamos falar do sistema neuroendócrino como sendo um tipo de maestro da orquestra de neurônios, conduzindo o sistema imunológico. Aqui nós temos música, estimulando esse maestro a iniciar o processo de cura”.
Recentemente, Conrad concentrou-se em mecanismos específicos que possam ajudar a explicar os efeitos da música no corpo. Em artigo publicado no último mês de dezembro no periódico "Critical Care Medicine", ele e colegas revelaram um elemento inesperado na resposta fisiológica à música em pacientes aflitos: um pulo no hormônio pituitário de crescimento, que é notoriamente crucial para a cura. “É um tipo de aceleração que produz um efeito calmante”, diz ele.
O estudo em si foi relativamente simples. Os pesquisadores colocaram fones de ouvido em 10 pacientes de tratamento intensivo em pós-cirúrgico, e na hora exatamente posterior à pausa nos sedativos, cinco deles foram tratados com gentis músicas de piano de Mozart, enquanto os cinco outros não ouviram nada.
Os pacientes que ouviram a música mostraram muitas reações esperadas por Conrad, com base em outros estudos: redução da pressão sanguínea e dos batimentos cardíacos, menor necessidade de analgésicos e uma queda de 20% em dois importantes hormônios do estresse, epinefrina e interleucina-6, ou IL-6. Entre essas reações esperadas estava a nova descoberta do estudo: um pulo de 50% no hormônio pituitário de crescimento.
Promoção da cura
Ninguém conduzindo esses estudos havia medido o hormônio de crescimento, cuja função inclui direcionar o crescimento, responder a ameaças ao sistema imunológico e promover a cura. Conrad o incluiu porque a pesquisa ao longo dos últimos cinco anos mostrou que o hormônio de crescimento geralmente aumenta com o estresse e diminui com o relaxamento.
“Isso significa que você espera que o HC, como epinefrina e IL-6, baixariam nesse caso”, diz Morley, da Universidade de St. Louis, sobre o hormônio. “Mas aqui ele aumenta. A questão é se o pulo no hormônio de crescimento efetivamente conduz o efeito sedativo, ou se é parte de alguma outra coisa que esteja acontecendo.”
Conrad argumenta que o hormônio de crescimento tem de fato um efeito sedativo. Em seu artigo, ele cita um estudo de 2005 que mostra o fator de liberação do hormônio de crescimento, um mensageiro químico que essencialmente chama os hormônios para o trabalho e reduz a atividade da interleucina-6. Isso sugere, diz ele, que o próprio hormônio de crescimento poderia reduzir os níveis de interleucina-6 e epinefrina que produzem inflamação e levam a dores e aumento da pressão sanguínea e dos batimentos cardíacos.
Essa explicação obteve reações diversas entre os pesquisadores do estresse.
“As duas dinâmicas não são necessariamente as mesmas,” diz Keith W. Kelley, um endocrinologista da Universidade de Illinois e perito em reações a inflamações. “Eu, pessoalmente, não compro o mecanismo celular específico que ele está propondo.”
Mas Kelley e outros peritos em reações ao estresse, incluindo Morley e o Dr. Bruce S. McEwen da Universidade Rockefeller em Nova York, dizem que o estudo de Conrad sugere claramente que um aumento nos hormônios de crescimento pode de alguma forma amortecer a inflamação e as reações ao estresse. “Essa é uma possibilidade realmente intrigante que merece uma olhada mais de perto,” diz McEwen.
Para Conrad, a descoberta oferece um tipo de elegância científico-musical: aqui, ao que parece, pode estar um paralelo hormonal ao poder da música de simultaneamente provocar e acalmar.
Conrad diz que espera expandir seu estudo dos efeitos da música no hormônio de crescimento em pacientes do tratamento intensivo. Ele também está planejando estudos, de certa forma similares, sobre como a música afeta o desempenho de um cirurgião.
Estudo comprova eficácia da yoga para melhorar dores crônicas nas costas
Eficácia da yoga foi melhor que a dos demais; é importante ter professores especializados.
Um novo estudo demonstrou que a prática da yoga pode ser mais eficiente do que os exercícios convencionais para os que sofrem de dor nas costas.
Luís Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN
A pesquisa foi realizada por um grupo de cientistas da Universidade de Washington, em Seattle (EUA). As dores crônicas nas costas podem se tornar um fator limitante para os que sofrem desse mal, e que muitas vezes dependem de analgésicos para realizar suas atividades do dia-a-dia.
A prática de exercícios como maneira de aliviar as dores das costas está comprovada, porém até hoje não existiam estudos que demonstrassem superioridade de um tipo de exercício sobre outros. Os pesquisadores dividiram um grupo de cem pacientes com dor crônica nas costas em três grupos menores.
O primeiro grupo fez exercícios convencionais, como alongamento, treinamento de força e aeróbicos. O segundo participou de aulas de yoga e o terceiro somente recebeu orientações sobre cuidados. Após três meses, o grupo da yoga desempenhava melhor suas atividades diárias e também necessitou de doses menores de analgésicos. Os benefícios se mantiveram na reavaliação, seis meses após o início da pesquisa.
Os médicos alertam que, se alguém quiser optar pela yoga para tratar de suas dores, deve procurar um professor que esteja habituado a trabalhar com alunos com esse problema.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Sono à indiana
Afastar a insônia passa pela sutileza de perceber cada um de nossos cinco sentidos. Esses são alguns dos ensinamentos ditados aqui por Deepak Chopra,médico indiano que prega o respeito à natureza e ás nossas sensações para banir os ruídos internos e ter uma noite de sono tranqüila.
TEXTO: ANA HOLANDA
Seguir o ciclo da natureza. Essa é a receita do médico indiano Deepak Chopra em seu livro Uma Boa Noite de Sono (ed. Sextante). “Quando seus ritmos fisiológicos se sintonizam com a natureza – o movimento da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas, o ciclo das estações do ano e as marés –, o sono vem sem esforço”, diz ele em sua obra, lançada em junho no Brasil. Chopra é um dos divulgadores, no Ocidente, da medicina aiurvédica, que segue os preceitos de saúde da filosofia indiana. Sua lição para dormir bem parece fácil, mas na prática seguir o ritmo do Sol e da Lua não é tão simples. Mas, mesmo para essas eventuais dificuldades, Deepak Chopra tem alguma resposta sábia, que passa por nossos instintos mais primitivos: tato, audição, olfato, visão e paladar. “Tudo o que você toca, prova, vê, cheira e ouve é metabolizado em seu corpo físico, mental e emocional”, acredita ele.
Entre os principais vilões de uma noite maldormida estão o excesso de estresse, ansiedade, depressão. Um estudo feito pelo Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 1987, 1995 e repetido este ano, apontou que 81% dos paulistanos têm queixas de sono. Desses, 35% sofrem de insônia. “Os dados brasileiros coincidem com os internacionais em relação à insônia. Sabe-se também que 10% das pessoas desenvolvem o problema crônico”, conta Lia Bittencourt, médica do instituto e coordenadora do estudo. As pesquisas mostram, ainda, que as mulheres são as que mais sofrem com as noites maldormidas causadas pela insônia – os homens têm queixas de ronco, na maior parte das vezes. As explicações para isso estão relacionadas com a predisposição genética – existem famílias inteiras de insones – por elas terem maior tendência à depressão e à ansiedade e pelo vaie-vem hormonal. Na menopausa, por exemplo, a redução do hormônio feminino progesterona afeta a qualidade do sono.
Continuação, aqui.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
sábado, 19 de abril de 2008
Estudo mostra que deixar o mercado de trabalho pode levar a desânimo e doenças
IARA BIDERMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Uma pesquisa recente adverte: "Aposentar-se pode ser prejudicial à saúde". Publicado em março no American Journal of Epidemiology, o levantamento, da Universidade de Atenas (Grécia), acompanhou cerca de 17 mil homens e mulheres por quase oito anos. Os participantes não tinham doenças prévias, como as cardiovasculares, diabetes ou câncer. No fim do estudo, foram feitos ajustes estatísticos para que condições como tabagismo, obesidade e sedentarismo não influenciassem os resultados. Em números: os aposentados apresentaram 51% mais risco de morte em relação aos que continuaram trabalhando.
| O risco cresce em proporção inversa à idade do aposentado: quanto mais jovem, maior chance de morte. Entre os participantes que tinham menos de 55 anos, por exemplo, 9% dos aposentados morreram no decorrer do estudo, contra apenas 1% de morte entre os não--aposentados. |
"Concluímos que a aposentadoria precoce pode ser um fator de risco de mortalidade em geral e, particularmente, de morte decorrente de doenças cardiovasculares em pessoas aparentemente saudáveis", disse à Folha por e-mail a coordenadora da pesquisa, Christina Bamia, do departamento de higiene e epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Atenas.
Para Bamia, os dados contradizem a percepção generalizada de que a aposentadoria levaria a uma melhor qualidade de vida e ao aumento da longevidade. No entanto, ela diz não ter dados para explicar os motivos que levam às doenças e à morte."Com os dados disponíveis no estudo, não podemos indicar os mecanismos que estão por trás dessa associação, mas suspeitamos que a aposentadoria pode envolver a deterioração do status econômico, o abandono de hábitos saudáveis ou a adoção de hábitos prejudiciais à saúde, além de todas as conseqüências psicossociais que ela envolve."
Os fatores psicossociais são considerados decisivos pelo cardiologista Roque Savioli, diretor da Unidade de Saúde Suplementar do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo). "Estudos mostram a importância desses fatores no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em minha experiência clínica, percebo como é comum o aposentado experimentar uma falta de objetivos e de sentido na vida, que leva à depressão. Assim, passa a não se cuidar, abandona as atividades físicas, enfim, contribui ainda mais para o surgimento da doença", diz.
Embora o estresse profissional também seja um fator de risco para a saúde do coração, Savioli acredita que, ao se aposentar, a pessoa pode ser submetida a outros tipos de estresse, não menos importantes do que os vividos no trabalho."Entre eles, o estresse marital. Quanto mais tempo a pessoa fica ociosa, maior a probabilidade de surgirem conflitos com os familiares", afirma o cardiologista.
Ficar ocioso e sem perspectiva é o problema. "A aposentadoria em si não mata, mas sim a forma como ela é encarada", diz Lucia França, professora do mestrado em psicologia da Universidade Salgado de Oliveira (no Rio de Janeiro) e autora de "O Desafio da Aposentadoria" (ed. Rocco).
Ela diz que se aposentar bem ou mal é algo relacionado a uma série de atitudes tomadas durante toda a vida profissional, e não apenas na hora de encerrá-la. "Se o profissional é envolvido demais com a organização onde trabalha, deixar o emprego pode gerar depressão e doenças", aponta. Outras atitudes importantes são equilibrar a vida profissional com a pessoal e diversificar interesses --quem faz isso tem mais chance de encontrar atividades que tragam realização ao deixar o emprego formal.
Valor social
Um aspecto que nem sempre é percebido, mas que, para França, pode estar na origem do estresse nas relações familiares, é a percepção de perda de status, do valor social que a pessoa tinha vinculado à sua ocupação profissional. Em contrapartida, há pessoas que encontram, na aposentadoria, tempo para se dedicar a atividades em que a valorização social adquire um sentido muito mais amplo.
Trabalhar para ajudar outras pessoas também traz benefícios pessoais --entre eles, manter a saúde, a disposição física e a mente ativa.
A professa Patrícia Raymundo, 55, trabalhou por 25 anos na rede municipal de ensino de São Paulo. Aos 44 anos, aposentou-se. "Havia acabado meu tempo. Saí com muita dor no coração", conta. Por um lado, ao parar de trabalhar, ela conseguiu mais tempo para se dedicar à mãe doente. Mesmo assim, diz que sentia muita falta da escola, das crianças e do convívio profissional e que "ficava às vezes melancólica". Quando uma amiga falou com Patrícia sobre a ONG Viva e Deixe Viver, que prepara e leva voluntários para contar histórias para crianças hospitalizadas, não teve dúvidas e, após quase quatro anos inativa profissionalmente, pegou a bagagem que havia acumulado como educadora e fez o curso que a ONG promove para preparar seus voluntários.
Hoje, ela diz que não se considera aposentada. "Minha semana é rica, cheia de possibilidades. Tenho sempre uma história nova para contar. Isso, sem dúvida, contribui para a minha boa saúde", afirma.
Com o trabalho voluntário, surgiram até oportunidades profissionais remuneradas. Hoje, ela é convidada por livrarias e por empresas para contar histórias, seja para o público infantil, seja para o adulto, em programas corporativos de treinamento de funcionários.
Além de todos esses benefícios, Patrícia ressalta que, para exercer sua atividade de contadora de histórias voluntária, ela precisa sempre se reciclar, estudar, ler muito. Assim, não há espaço para a mente ociosa.
Redescoberta do prazer
"Uma mente ágil não dá espaço para a tristeza", afirma Ana Alvarez, fonoaudióloga e autora de "Deu Branco" (ed. Record), entre outros livros. Ela acha que a aposentadoria se torna um risco para a saúde quando a pessoa não busca novas experiências e se isola. "Os mecanismos de recompensa do cérebro não são ativados e ele começa a trabalhar desmotivado. Não encontrando mais situações que proporcionem prazer, o cérebro passa a funcionar como em estados de depressão. Aí a pessoa acaba adoecendo", diz.
E, de fato, Márcia Villela, 54, adoeceu. Aos 18 anos, começou a trabalhar como relações públicas. Aos 46, parou. O primeiro ano ela passou cuidando do marido doente, que acabou morrendo. Mas, depois, não conseguiu retomar suas atividades e "entrou em parafuso", conta. "Tive câncer de mama e de útero e neuralgia do trigêmeo [disfunção do nervo craniano que causa dores intensas]. Por quatro anos, vivia meio na marra, totalmente 'down'."
A sorte de Márcia foi, mesmo que "na marra", ter aceitado o convite de uma amiga para participar de um chá dançante. A dança foi para ela o caminho para redescobrir um sentido na vida. E recuperar o prazer de viver, a auto-estima e a saúde. "Hoje, só tenho dor na sola do pé, de tanto dançar. De resto, a saúde está perfeita", afirma.
Dançando, Márcia --que diz que estava "um monstro de gorda" após quatro anos de inatividade-- perdeu 26 quilos, fez novos amigos e até descobriu uma nova área de trabalho. Prestes a abrir uma espaço para a prática de danças, comemora: "Transformei meu gosto em negócio".
Sem pendurar as chuteiras
"A depressão entre aposentados é alta, atinge entre 10% e 15% deles. [O distúrbio] tem causas orgânicas, químicas, mas fatores psicológicos e ambientais acabam sendo precipitantes e mantenedores dos quadros depressivos", diz João Toniolo Neto, professor de geriatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Embora a aposentadoria possa desencadear esse quadro, Toniolo Neto acha precipitado considerar o fato causa direta de doenças e mortes. "A pessoa pode começar a se isolar, comer mal, tornar-se sedentária, fumar mais, e tudo isso são fatores de risco, mas não é tão simples fazer uma correlação imediata."
O cardiologista José Carlos Pachon, diretor do serviço de arritmias do HCor (Hospital do Coração) de São Paulo, também vê com reservas as conclusões do estudo da Universidade de Atenas. "No estudo, não há informações importantes, como quantas aposentadorias foram compulsórias e quantas foram voluntárias.Esse seria um dado fundamental para avaliar as conseqüências sobre a saúde cardiovascular, já que a aposentadoria compulsória pode representar o início de uma vida 'negativa', ao passo que a voluntária pode representar o fim de muitos problemas e o início de uma fase 'positiva'", diz.
Pachon conta que, para um grupo de pacientes, a recomendação é parar de trabalhar --são, por exemplo, profissionais submetidos a níveis muito altos de estresse. Para outro grupo, diz que recomenda que continuem trabalhando. "São os que entram em depressão quando param. Isso aumenta vários fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade abdominal e a chance de desenvolver a síndrome metabólica."
Roberto Joaquim, 65, está no grupo dos que podem (e devem) continuar trabalhando. Para ele, trabalho não é estresse, e sim fonte de prazer. Aposentado da empresa em que trabalhou por quase 38 anos, diz que nunca pensou em "vestir o pijama e pendurar as chuteiras". Deu um jeito de encontrar outra fonte de renda. No início, montou uma loja, mas não era isso o que queria da vida.
Mas não desistiu e, com o tempo, montou sua própria empresa, que produz agulhas especiais, colchetes e ganchos. Um de seus clientes é a empresa em que foi empregado por décadas. Tem boa saúde e, como era de se esperar, ela é atribuída em boa parte ao fato de continuar ativo. "Enquanto você trabalha, tem sonhos. Se deixar de sonhar, pode morrer."
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Alzheimer do excesso
Os pesquisadores avaliaram 939 pessoas com mais de 60 anos com diagnósticos de possível ou provável para a doença. Foram reunidas também informações de membros das famílias sobre históricos de fumo e de uso de bebidas alcóolicas.
Em seguida, os autores determinaram se os participantes tinham a variante A4 do gene apoE, cuja presença aumenta o risco da doença de Alzheimer. Pessoas com a variante costumam desenvolver o mal antes das demais.
Os cientistas verificaram que 7% dos pacientes tinham histórico de beber pesadamente – definido como o consumo de mais de dois drinques por dia. Quanto ao fumo pesado, de mais de um maço por dia, esteve presente em 20% dos participantes. Desses, 27% apresentava a variante genética do apoE.
Os autores do estudo descobriram que aqueles que bebiam pesadamente desenvolveram Alzheimer em média 4,8 anos antes. Aqueles que fumavam mais de um maço de cigarros por dia desenvolveram a doença em média 2,3 anos antes. E quem tinha a variante A4 manifestou o mal três anos antes do que os demais.
Segundo os cientistas, aqueles que tinham os três fatores desenvolveram a doença em média 8,5 anos antes do que quem não tinha nenhum deles. Os 17 pacientes que tinham a variante A4 e bebiam e fumavam pesadamente desenvolveram Alzheimer em uma idade média de 68,5 anos.
A doença se manifestou em média aos 77 anos para os 374 voluntários que não bebiam ou fumavam em excesso e que também não tinham a variante genética.
“Os resultados são importantes por indicarem que se pudermos reduzir ou eliminar o fumo e a bebida em excesso poderemos adiar substancialmente o início do Alzheimer e mesmo reduzir o número de pessoas com a doença”, disse Ranjan Duara, do Centro Médico Monte Sinai e um dos autores do estudo.
“Projeções anteriores estimaram que um atraso de cinco anos na manifestação da doença levaria a uma redução de quase 50% no total de casos da doença. O novo estudo destaca que esses dois fatores, fumar e beber pesadamente, estão entre os mais importantes para se tentar prevenir o Alzheimer”, afirmou Duara.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Hábitos diferentes, riscos novos
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Os hábitos de vida do Ocidente podem estar deteriorando a saúde da população nipo-brasileira. Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entre 1993 e 2007, em Bauru (SP), indicou uma alarmante prevalência de diabetes e fatores de risco cardiovascular entre descendentes de japoneses.
No entanto, a fase final do estudo, que consistiu em uma intervenção junto a essa população, demonstrou que algumas mudanças na dieta e a prática de atividades físicas podem ser medidas efetivas para combater o problema.
A primeira fase da pesquisa, em 1993, indicou que a prevalência de diabetes entre os descendentes de japoneses era de 20%, em média, contra 7,5% na população brasileira em geral. Em 2000, a segunda fase revelou que o problema havia se agravado: a prevalência de diabetes entre nipo-brasileiros era de 35%.
Os resultados da segunda fase – um Projeto Temático apoiado pela FAPESP – foram publicados na mais recente edição da revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia. A terceira fase foi realizada entre 2005 e 2007.
De acordo com a autora principal do artigo, Antonela Siqueira, que atualmente é pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), os descendentes de japoneses têm uma predisposição genética aos males causados por fatores típicos do cotidiano ocidental, como sedentarismo, estresse e alimentação rica em gordura e açúcar.
“A primeira fase do estudo indicou que a prevalência de diabetes entre os nipo-brasileiros era quase o triplo do resto da população. Em 2000, começamos a estudar a presença da síndrome metabólica – o conjunto de fatores de risco cardiovascular, que inclui diabetes, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos e obesidade”, disse Antonela à Agência FAPESP.
Bauru foi escolhida, segundo a pesquisadora, por ter uma comunidade nipo-brasileira ampla e pouco miscigenada, com fácil acesso ao hospital em que foram feitas as análises clínicas. Em 1993, foram avaliados 647 indivíduos de 40 a 79 anos, descendentes de primeira e segunda geração. Em 2000, o estudo foi ampliado para 1.330 indivíduos.
“Em 2000, estudamos também os fatores dietéticos que poderiam contribuir para a prevalência da síndrome metabólica, que, conforme detectamos nessa época, era maior que 5%. O aumento do diabetes nos surpreendeu: passou de 20% para 35% em apenas sete anos”, afirmou.
Embora a população nipo-brasileira não tenha uma obesidade importante, os voluntários apresentaram alta taxa de gordura visceral. “O que importa para essas doenças é a cintura abdominal e não a obesidade periférica. Para os nipo-brasileiros, gordura no abdome significa perigo para a saúde. Os problemas aparecem quando a medida passa de 102 centímetros, para um homem ocidental, ou dos 90 centímetros, para um oriental”, apontou.
Os pesquisadores detectaram um aumento de glicemia – ou perda de tolerância à glicose –, que foi associado principalmente ao consumo exagerado de carboidratos refinados, sem fibra, como pão e arroz não-integrais.
“A alta prevalência de síndrome metabólica foi associada a um aumento no consumo de gordura saturada, que aumenta o colesterol ruim. A avaliação longitudinal mostrou que o fator que mais contribuiu para isso foi um consumo exagerado de carne vermelha”, disse Antonela.
O estudo transversal analisou de uma só vez, em uma série de exames, a condição da população de descendentes de japoneses naquele momento e mostrou que todos os indicadores ligados à síndrome metabólica haviam aumentado entre 1993 e 2000.
“Havia aumento do colesterol, do diabetes e principalmente dos triglicérides – associados ao açúcar –, que apareceram aumentados em 66% da população. Enquanto o nível normal é de 150 mg/dL, a média entre os nipo-brasileiros ficou em 240 mg/dL. Alguns indivíduos tinham valores próximos de mil”, afirmou.
A prevalência de doença cardiovascular – que pode resultar em infarto, derrame, obstrução arterial periférica e arteriosclerose, atingiu 14% da população analisada. “Se fosse em idosos, essa prevalência não poderia ser considerada muito alta. Mas, para uma população a partir de 30 anos, é altamente preocupante”, disse Antonela.
Ação efetiva
De acordo com Bianca de Almeida Pitito, doutoranda da Unifesp que participou da terceira fase do estudo, a partir dos resultados da pesquisa de 2000 o grupo começou a planejar um programa de intervenção.
“Ao constatar que o diabetes havia aumentado tão drasticamente em sete anos e que havia prevalência da síndrome metabólica, concluímos que, se nada fosse feito, a tendência era que dentro de mais alguns anos os problemas ficassem ainda mais graves. Por isso, planejamos a intervenção”, disse Bianca à Agência FAPESP.
Com uma equipe interdisciplinar, contando com nutricionistas e educadores físicos, os pesquisadores fizeram a intervenção focada em orientação para mudanças na dieta e estímulo à atividade física. O programa não incluiu aplicação de medicação.
Segundo Bianca, o objetivo era comparar as condições de saúde dos voluntários no início e no fim do programa. “Como havíamos detectado o problema, não seria ético deixar parte da população sem acesso ao programa, por isso não houve condições para trabalhar com um grupo de controle”, explicou.
Foram feitas três avaliações clínicas: a primeira no início da intervenção, em 2005, a segunda em 2006 e a terceira no fim do programa, em 2007. “Foram feitos exames para verificar pressão sangüínea, peso, circunferência da cintura, colesterol, triglicerídeo e glicose. Foram avaliados 653 indivíduos”, disse.
Depois de um ano de intervenção, segundo Bianca, foi detectada uma melhora sensível em todos os parâmetros: obesidade central, glicemia, perfil lipídico, colesterol, pressão sangüínea e gordura abdominal.
“A redução desses fatores ocorreu apenas com a mudança de dieta e de padrões de atividade física, o que mostra que a mudança de hábitos pode ser fundamental para prevenir a síndrome metabólica”, afirmou.
Segundo a pesquisadora a melhora de todos os indicadores em apenas um ano, ainda que não tenha sido drástica, pode ter grande impacto do ponto de vista populacional. Os resultados da análise de 2007 ainda não foram sistematizados.
Para ler o artigo Distúrbios no perfil lipídico são altamente prevalentes em população nipo-brasileira, de Antonela Siqueira e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.
terça-feira, 8 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Academia Brasileira de Neurologia ensina como dormir bem
São Paulo, 20 (AE) - Um sono tranqüilo faz qualquer um recuperar as energias. O mesmo, no entanto, não se pode dizer das noites passadas em claro. Por conta do Dia Nacional do Sono, 21 de março, a Academia Brasileira de Neurologia vai promover a Semana Nacional do Sono a partir de amanhã (21) e até o dia 28 para ensinar a população brasileira a adotar pelo menos uma semana de bons hábitos para aprender a dormir melhor.
"Essa campanha tem o objetivo de fazer o indivíduo ver a cama para descansar, repousar e viver o dia seguinte. Não para planejar o que vai fazer. Ao mudar os hábitos as pessoas vão sentir a diferença já no oitavo dia", afirma Gilmar Fernandes do Prado, coordenador do evento, neurologista, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e professor da Unifesp. "Dormir bem tornou-se uma questão de saúde pública nos dias atuais", afirma.
Segundo o médico, o ideal para os adultos são em torno de sete horas e meia de sono. Rosa Hasan, neurologista que atua na área de Medicina do Sono no Hospital das Clínicas, no Hospital São Luiz-Itaim e é professora na Faculdade de Medicina do ABC, especifica que, na infância, são necessárias de 9 a 10 horas de sono. "Já crianças em idade escolar precisam dormir de 8 a 9 horas. E os adolescentes de 9 a dez horas".
Dormir menos de seis horas, de acordo com Prado, pode causar hipertensão, irritabilidade e alterações no humor. A memória e os reflexos ficam bastante prejudicados e também há déficit de atenção.
Além disso, segundo Rosa Hasan, a falta de sono provoca alteração no metabolismo, levando à obesidade. "Ninguém deve se privar do sono, principalmente motoristas, profissionais que operam máquinas de precisão e estudantes", enfatiza.
As doenças do sono têm impacto na qualidade de vida e na saúde, segundo a neurologista. "Quem tem apnéia, por exemplo, deve tratar esse mal para conseguir dormir direito, pois ela aumenta o risco de problemas cardiovasculares".
Insônia - A insônia pode ser provocada por vários fatores que variam de expectativas (viagens, compromissos, reuniões de trabalho, provas), problemas clínicos e emocionais passageiros. Os critérios utilizados para definir se alguém tem insônia são o tempo, a freqüência e o período que a pessoa demora para dormir ou voltar a dormir superior a 30 minutos. Esta dificuldade em iniciar ou manter o sono deve ocorrer pelo menos três vezes por semana e já deve estar ocorrendo há seis meses para ser caracterizada como insônia.
Segundo estudos, as mulheres são as que mais sofrem com esse problema. "Principalmente no período peri-menopausa (que engloba a pré-menopausa até um ano após a menopausa) e na menopausa. Socialmente e psicologicamente a mulher é mais dividida, mais sobrecarregada", justifica Rosa. "Homens ou mulheres, ninguém deve achar que dormir mal é normal. É um problema grave de saúde que deve ser tratado. E o médico neurologista é o profissional indicado para resolver esse problema", finaliza.
Boxe 1: DICAS PARA UMA BOA NOITE DE SONO
Confira, na seqüencia, as orientações da Academia Brasileira de Neurologia que devem ser adotadas durante sete dias. De acordo com os especialistas, somente após quatro semanas a pessoa notará resultados mais significativos. "Esses hábitos devem ser utilizados todos os dias, formando uma rotina. E mesmo que a pessoa sinta dificuldades, deve insistir", enfatiza Prado.
1 - Não vá para a cama sem estar com sono;
2 - Acorde no mesmo horário todas as manhãs, inclusive nos finais de semana:
- Se você sentir que precisa acordar mais tarde aos sábados e domingos, que seja apenas uma hora a mais;
3 - Não faça cochilos;
4 - Não consuma bebidas alcoólicas durante o período de quatro horas antes de ir para a cama;
5 - Não consuma cafeína após as 16 horas, ou no período de seis horas antes de se deitar;
- Informe-se sobre bebidas, alimentos e medicações que contenham cafeína;
6 - Não fume durante muitas horas antes de ir para a cama;
7 - Faça exercícios regularmente;
- O melhor horário para praticar atividades físicas é no final da tarde ou de manhã. Evite esforços físicos após as 18 horas;
8 - Use o senso comum para fazer seu ambiente apropriado para o sono. A temperatura deve ser adequada, mínimo possível de som, barulho e luz;
9 - Se você está acostumado, faça um lanche leve antes de dormir (bolachas salgadas, leite, queijo branco);
- Não coma chocolate ou coisas com muito açúcar;
- Evite muito líquido;
- Se acordar no meio da noite, não coma. Senão começará a acordar sempre no mesmo horário com fome;
10 - Não use sua cama ou quarto para outra atividade que não seja dormir ((a única exceção a essa regra é a atividade sexual);
- Você não deve ver TV, ler, conversar ao telefone nem se preocupar, discutir com seu cônjuge ou comer na cama;
11 - Estabeleça uma rotina para ir para a cama como sinal para dormir;
- Escove os dentes, acerte o despertador e faça coisas compatíveis com o horário;
- Realize essas atividades na mesma ordem todas as noites;
- Use sua posição de dormir preferida em combinação com seu travesseiro e seu cobertor prediletos;
12 - Quando estiver na cama, apague as luzes com a intenção de adormecer logo. Se você não consegue dormir em pouco tempo (10 minutos), levante da cama e vá para outro cômodo;
- Faça alguma atividade tranqüila até começar a sentir sono de novo e então retorne ao quarto para dormir;
13 - Se você não adormecer rapidamente, repita a instrução anterior;
- Repita esse processo quantas vezes for necessário durante a noite;
- Use esse mesmo procedimento se você acordar no meio da noite e não conseguir voltar a dormir rapidamente;
Boxe 2: HIGIENE DO SONO PARA CRIANÇAS
1 - Mantenha uma rotina para os cochilos diurnos das crianças pequenas;
- Evite cochilos no final da tarde;
2 - Crie uma rotina para a hora de dormir da qual faça parte um momento bom com os pais (ler histórias, ouvir música, etc);
3 - Evitar bebidas (chocolate, refrigerante e chá mate) e medicações que contenham produtos estimulantes;
4 - Crie um ambiente que leve ao sono e recompense as noites bem dormidas;
5 - Mantenha o mesmo horário para os pequenos dormirem e acordarem todos os dias;
6 - Coloque a criança na cama ainda acordada;
7 - Tente não deixá-la adormecer tomando leite, assistindo TV ou em outro lugar que não seja a sua própria cama;
8 - Não alimente a criança durante a noite;
9 - Evite levá-la para a cama dos pais para dormir ou acalmar-se;
10 - Se a criança acordar durante a noite para ir ao banheiro ou por causa de pesadelos, fique no quarto dela até acalmar-se e avise-a de voltará para seu quarto quando ela adormecer;
quinta-feira, 3 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
Estudo indica riscos à saúde por dormir pouco ou demais
24 de setembro, 2007
Não é só a falta de sono que pode provocar problemas de saúde, mas também dormir demais, segundo uma pesquisa realizada pela University of Warwick e pela University College London, ambas na Grã-Bretanha.
O estudo examinou o padrão de sono e as taxas de mortalidade de 10.308 funcionários públicos britânicos.
Eles descobriram que aqueles que diminuíram as horas de sono durante a noite de sete para cinco horas, tinham dobrado o risco de sofrer um problema cardiovascular fatal em relação aos que mantiveram uma rotina de dormir sete horas por noite.
O risco dos que reduziram o sono foi semelhante ao dos que aumentaram o período de sono para ao menos oito horas diárias.
Fatores
A pesquisa, que deverá ser apresentada durante um encontro da Sociedade Britânica de Estudos do Sono, foi baseada em dados coletados entre 1985 e 1988 e novamente entre 1992 e 1993.
Os pesquisadores levaram em consideração possíveis fatores como idade, sexo, estado civil, grau de emprego, tabagismo e atividades físicas.
Eles consideraram esses fatores para isolar o efeito que as mudanças em padrões de sono em um período de cinco anos tiveram sobre as taxas de mortalidade entre 11 e 17 anos depois.
Entre os que diminuíram o número de horas de sono, o número de problemas cardiovasculares fatais dobrou, enquanto o risco de morte em geral aumentou 1,7 vez.
Mudança
“Menos horas de sono e maiores níveis de distúrbios de sono se tornaram comuns nas sociedades industrializadas”, afirma o pesquisador Francesco Cappuccio.
“Esta mudança, em larga escala resultado da redução de sono para criar mais tempo para o lazer e para o trabalho em turnos, significou que os relatos de fadiga, cansaço e sono excessivo durante o dia são mais comuns do que há poucas décadas”, diz o pesquisador.
Segundo ele, “o sono representa o processo diário de restituição e recuperação biológica, e a falta de sono tem efeitos de longo alcance”.
Curiosamente, porém, os pesquisadores também descobriram que os indivíduos que aumentaram seu período de sono para oito horas ou mais por noite aumentavam em duas vezes ou mais a chance de morrer em relação aos que não haviam mudado seus hábitos.
Depressão e câncer
Cappuccio disse que a falta de sono havia sido ligada a um risco de aumento no ganho de peso, pressão alta e diabetes do tipo 2.
Porém ele disse que a ligação entre muito sono e problemas de saúde é menos clara, apesar de sugerir que a permanência na cama por períodos longos poderia ser um sinal de problemas como depressão ou, em alguns casos, a fadiga relacionada ao câncer.
“Nossas descobertas indicam que dormir consistentemente cerca de sete horas por noite é o melhor para a saúde, e uma redução sustentada pode predispor a problemas de saúde”, diz o pesquisador.
Para Neil Stanley, especialista em sono do Hospital Universitário de Norwich e Norfolk, o estudo comprova a importância de dormir o número necessário de horas para manter a boa saúde.
Ele adverte, porém, que a necessidade de sono é “como a altura ou o tamanho do sapato: cada um tem o seu”.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Percepções sobre o câncer
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Mais de 90% dos brasileiros reconhecem a necessidade de detecção precoce do câncer, mas poucos sabem quais exames devem ser feitos para detectar a doença nas fases iniciais. O fumo e a exposição ao sol são amplamente reconhecidos como fatores de risco, mas ainda é muito baixa a associação da prevenção ao câncer com a alimentação saudável.
Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que entrevistou 2,1 mil pessoas nas regiões metropolitanas de todas as capitais do país. O objetivo foi conhecer as concepções do brasileiro em relação à doença.
No estudo, 71,96% dos entrevistados afirmaram saber o que é câncer. Apesar de 89,41% terem dito reconhecer a necessidade de detecção precoce para o sucesso do tratamento, significativos 17,6% declararam conhecer os exames necessários para a detecção precoce.
Foram citados o exame de próstata (11,68%), o ginecológico preventivo (13,52%), a mamografia (8,11%) e o exame das mamas pelo médico (9,79%). O auto-exame das mamas (2,48%), o de pele pelo médico (2,44%), o de sangue oculto nas fezes (1,6%) – importante para a detecção precoce do câncer de cólon – e o exame oral pelo dentista (0,97%) ficaram entre os menos citados.
“Fizemos a pesquisa para ver em que segmentos sociais temos que focar mais as campanhas, e também para refinar o conhecimento a respeito das percepções sobre o câncer. Uma coisa é saber o que pensa uma pessoa que tem a doença e outra é saber o que pensa a população em geral, especialmente em relação à prevenção, palavra-chave atualmente”, ressaltou o médico Luiz Antonio Santini, diretor do Inca.
A maioria dos entrevistados reconhece a importância da prevenção: 72,88% disseram que o câncer sempre pode ser prevenido, enquanto 11,09% apontaram que isso pode ocorrer em algumas situações. “Esse é um resultado positivo. Significa que estão prontos para adotar hábitos e alternativas de vida saudáveis, capazes de afastá-los de importantes fatores de risco. A pesquisa mostra um dado favorável e importante: a associação do cigarro à doença”, avaliou Santini.
Segundo ele, em relação aos exames e à prevenção, há ainda muitos obstáculos a serem vencidos. “Enquanto o câncer de colo de útero foi reduzido a um fator quase irrisório nos países mais ricos, no Brasil é a segunda causa de morte entre mulheres e o mais incidente em algumas regiões. A média de cobertura do exame de papanicolau é de 65%, enquanto o ideal seria 80%. Se separarmos entre população das cidades e do interior, veremos que, nas primeiras, a cobertura é de 80%, enquanto na segunda é bem menor. A população dos grandes centros está mais bem informada. Com essa pesquisa podemos direcionar a campanha a um público específico”, observou.
O estudo apontou também um desconhecimento sobre locais em que se pode fazer exames para detecção precoce: hospitais foram apontados por 43,39%, seguidos por clínicas (17,25%), postos de saúde (16,32%) e laboratórios (16,94%). “A porta de entrada do sistema de saúde são as unidades básicas ou primárias, os postos de saúde locais, onde são feitos os exames diagnósticos”, disse o diretor do Inca.
Quanto ao reconhecimento dos fatores de risco, os dados revelam que ainda há muito a avançar. O fumo e o excesso de exposição ao sol são os fatores de risco mais conhecidos, por 96,65% dos entrevistados. O número sobe para 100% na região Centro-Oeste e 98,04% na região Norte, seguidas pelas regiões Nordeste (97,15%), Sul (96,01%) e Sudeste (95,67%).
Já 92,41% indicaram o excesso de exposição ao sol como fator de risco. O índice mais alto foi verificado na região Centro-Oeste (97,42%). O consumo de bebidas alcoólicas em excesso foi reconhecido por 85,71% dos entrevistados.
A alimentação saudável e a prática de atividades físicas ainda não são identificadas como formas de prevenção ao câncer de forma expressiva. Dos entrevistados, 27,47% afirmam que a alimentação não tem relação com o câncer e 49,03% não relacionaram a falta de atividades físicas com o risco de adquirir a doença.
A maior parte dos entrevistados disse que o câncer pode ser tratado (78,77%) ou que, às vezes, pode ser tratado (14,74%). Apenas 4,60% afirmaram desconhecer tratamento para a doença.
Mais informações: www.inca.gov.br
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Corpo e mente saudáveis na 3a idade
Especialistas do flat Residencial Santa Catarina, de São Paulo, toda semana dão 5 dicas sobre qualidade de vida para chegar bem à 3ª idade. Localizado a 50 metros da avenida Paulista, o Residencial é o primeiro flat de luxo do País focalizado no atendimento a moradores de Terceira Idade. Esta semana, Sheila Bigon Cunha, enfermeira chefe e gerontóloga da Unidade de Saúde do Residencial, apresenta cinco dicas para manter corpo e mente saudáveis na terceira idade.
1 – Descubra atividades que agucem seus talentos manuais ou que simplesmente dêem prazer aos realizá-las. Com isso, você caminhará na direção certa para obter maior equilíbrio espiritual e corporal.
2 – Amplie seu nível de contato com a natureza. A harmonia do mundo natural vai contagiar positivamente sua vida a partir de atividades simples como caminhadas em parques, banhos de cachoeira ou mar.
3 – Meditar é o melhor remédio preventivo para o corpo e a mente. Além de ajudar sua concentração e memória, as várias técnicas de meditação propiciam momentos únicos de encontro com o melhor que você tem.
4 – Abra sua casa para a vida. Harmonize o lugar onde mora abrindo portas e janelas para facilitar a circulação de ar e luz solar. Aproveite o movimento para se livrar de objetos antigos que tragam recordações desagradáveis. A circulação proporcionará uma sensação de bem estar.
5 - Atividade física é muito recomendada para a terceira idade, mas lembre-se de realizar um bom check-up antes de começar a se exercitar. Ainda que você só planeje caminhadas diárias, natação ou tai chi chuan, a avaliação prévia é importante.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Respire bem. Seu cérebro agradece
Marisa investigou a influência de um programa de treinamento na melhoria da qualidade de vida do idoso. A pesquisadora selecionou 32 voluntários da região de Santa Maria, cidade do DF, e submeteu metade deles ao programa durante três meses. Ao final dos testes, o grupo que exercitou os músculos respiratórios registrou queda em níveis de depressão e ansiedade e aumento da memória episódica e da qualidade de vida.
O treinamento consistia em exercícios com halteres, direcionados para os membros superiores. Marisa também utilizou um equipamento chamando Threshold (que serve para fortalecer a força muscular inspiratória e expiratória). O indivíduo usava o aparelho para inspirar e soprar. A resistência interna do Threshold ajuda a melhorar a força respiratória de quem o utiliza.
Segundo a pesquisadora, seu trabalho é o primeiro a associar o teste de memória emocional (relativa à lembrança de conteúdos emocionais e neutros) com a prática de um treinamento muscular respiratório. Em um dos testes utilizados para avaliar a efetividade do programa de treinamento, exibia-se um filme para os voluntários. A intenção era saber se eles conseguiam lembrar mais da história depois dos exercícios. A metade do grupo (16 pessoas) que assistiu ao vídeo depois de fazer os exercícios se lembrou de mais detalhes da história do que a outra metade que apenas viu o filme.
Plasticidade
O grupo que assistiu à exibição depois do treinamento conseguiu lembrar não apenas da história, mas de detalhes visuais, como a presença de uma árvore em cena, ou a cor do sapato de um personagem. “Esse tipo de exercício produz vários benefícios para o cérebro, e pode desenvolver mudanças na plasticidade cerebral”, analisa Marisa.
Plasticidade cerebral é a capacidade de o organismo alterar estrutural e funcionalmente suas sinapses (conexões entre os neurônios). É um processo de adaptação para suprir áreas danificadas do sistema nervoso. Uma das sugestões de Marisa é que os programas de treinamento muscular respiratório talvez possam ser úteis, também, no tratamento de doenças cerebrais que causam demência, como o mal de Alzheimer. Isso porque uma boa respiração favorece a oxigenação do cérebro.
Os idosos que participaram da pesquisa eram “sedentários, normotensos (sem problemas de pressão arterial) e saudáveis. Não tinham nenhuma deficiência cognitiva, patologias pulmonares ou cardiovasculares prévias e estavam aptos à prática de atividade física”, descreve a pesquisadora na tese. Os participantes, de ambos os sexos, tinham idades entre 60 e 78 anos.
Além de beneficiar a memória, os exercícios diminuíram os sinais de depressão e ansiedade, aumentaram a vitalidade e a saúde mental, e melhoraram aspectos sociais e emocionais dos idosos.
Músculos
Uma avaliação prévia do grupo tinha mostrado à pesquisadora que a força muscular respiratória dos idosos estava diminuída. "A maioria das pessoas respira superficialmente", comenta Marisa. "Não utilizam a musculatura de forma adequada, e a mesma vai enfraquecendo, diminuindo a performance", explica. Segundo Marisa, é errado encolher a barriga durante a inspiração (respiração denominada "paradoxal"). Ela comenta, ainda, que é muito saudável preocupar-se em realizar respirações profundas de forma rotineira, além de praticar atividades físicas, colaborando para a melhora da própria condição respiratória.
Como a maioria das pessoas não tem o costume de cuidar da respiração, é comum chegar à terceira idade com a musculatura respiratória debilitada. Somando-se a isso, Marisa diz que os próprios declínios fisiológicos que acometem o sistema respiratório, decorrentes do envelhecimento e de hábitos de vida dos idosos (como o fumo), colaboram para tal debilidade.
Crédito da imagem: Apoena Pinheiro/UnB Agência
Tudo começou por uma floresta
A mostra está organizada em três módulos. No primeiro, são apresentados detalhes sobre a floresta amazônica e sua relação com as populações humanas através dos tempos. Em seguida, um panorama por Santa Bárbara aborda as comunidades da cidade e, no módulo final, jogos interativos explicam aos visitantes a história da imigração japonesa na região.
A promoção é do Museu Paraense Emílio Goeldi, em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental, com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado do Pará e com a Agência de Cooperação Internacional do Japão.
Mais informações: www.museu-goeldi.br
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Medicina Chinesa, tradicional ou complementar, porém sempre atual
As terapias da Medicina Tradicional Chinesa estão sendo cada vez mais incorporadas ao cotidiano das populações dos países do Ocidente. Nos EUA, considerado o país mais avançado da Medicina Moderna, estima-se que 40% da população procure este tipo de tratamento. O que significa este tipo de movimento? Na aparente contradição o fenômeno aponta para a busca de um novo paradigma.
Alguns aspectos da nossa saúde ainda não são compreendidos pelos avanços tecnológicos da medicina convencional. Esta, atendo-se a complexidade biomédica, considera apenas um aspecto do ser humano, isto é nosso corpo, nossos órgãos, nossos tecidos, nossa divisão micróscópica celular, nossos hormônios e enzimas, da bioqúimica e da forma como se manifesta a doença. É maravilhoso esse desvendar da nossa máquina, mas isto não parece explicar outro aspecto da nossa saúde, que não se observa , não se toca, não é demonstrado através do microscópio, não se mensura nos equipamentos mais sofisticados da nossa medicina laboratorial. São nossas percepções, pensamentos, emoções, sensibilidades, motivações e energia que movem nossa vida, numa unicidade, integrando corpo e mente.
Neste contexto, se não é uma elaboração de pensamento completo e perfeito, a Medicina Tradicional Chinesa, é um sistema de funcionamento lógico e inteligente para explicar como os fenômenos que ocorrem no nosso organismo de uma maneira dinâmica e contínua podem afetar nosso estado frágil de equilíbrio . Sobrevivendo durante cerca de 6000 anos, através de uma civilização mais antiga que ainda perdura até hoje, continua ela tão viva e eficaz para responder às demandas dos problemas de saúde tão contemporâneos como fibromialgia, processo hipertensivo arterial, transtorno de ansiedade generalizada, disfunções hormonais, transtornos funcionais urinários ou síndrome de cólon irritável. Explicações aparentemente simples e singelas, através de uma abordagem racional, são as bases teóricas utilizadas pela Medicina Chinesa.
Os conceitos tão antigos quanto os da cultura chinesa tentam explicar a nossa origem, nossa constituição, nossa insignificância diante do universo ou cosmo como diziam os chineses. Yin e Yang, Chi, energia principal que move nosso organismo, energia do Céu (ar que respiramos) e da Terra (fonte de alimentos que consumimos), movimento dos Cinco elementos(fogo, terra, metal, água e madeira), teoria nascida de uma observação da natureza para explicar todos os fenômenos que ocorrem em nossa volta, incluindo como funciona o nosso organismo. Outros constituintes básicos do nosso organismo como XUE (sangue), JING (essências), Ming Men (Portão da Vida), SHEN (onde concentra nossa atividade mental) e uma rede de canais energéticos. Essa última é a rede virtual dos canais denominados pelos franceses de MERIDIANOS, onde circula O Chi num fluxo contínuo. Estes canais virtuais, superando muito além dos órgãos anatômicos como sistemas circulatório ou nervoso, são verdadeiras "artérias energéticas" que impulsionam a vida do organismo.
Assim 4000 anos antes de Cristo, esta Medicina capaz na sua lógica de integralidade e unicidade, configurava as idéias , em outras linguagens simbólicas, tão atual como os conceitos hoje chamados de genética, imunologia, neurotransmissores. Sua racionalidade já desenhava os conceitos de etiopatogenia (causa de doença) e processo de fisiopatologia (modificações de funcionamento do corpo devido a doença), assim destacava-se sobre as causas das doenças. Os agentes exógenos chamados de fatores externos atualmente conhecidos como os do meio ambiente, e fatores internos que assumem a importância da questão mental nos processos de adoecimento. Identificava as doenças de proporções epidêmicas que chamavam de fatores pestilentos que possivelmente dizimavam as populações pela passagem de algum vírus novo de letalidade observada. Nesta classificação, já faziam parte as causas externas como ferimentos e fraturas por quedas e acidentes sobretudo no ''ambiente'' de trabalhos pesados nas construções e nas guerras, frequentes na época pois dezenas de reinos ainda não compunham a China unificada.
Os procedimentos utilizados para o diagnóstico, já advogavam uma anamnese (história)completa, exame clínico com inspeção (observação), ausculta e palpação, hoje quase o mesmo repertório é utilizado na semiologia da medicina moderna. Terapeuticamente falando, diversos recursos como alimentação correta, massagem (TUI NÁ), terapia de movimento (TAI CHI/LIAN GONG), exercícios de respiração, concentração e relaxamento (QI GONG), fitoterapia e acupuntura com aquecimento por moxa, indicam a hierarquização onde predomina a necessidade de tomarmos consciência da prevenção como hábito saudável e auto educação em promoção de saúde. Esse é um aspecto preventivo que a medicina chinesa trabalha para preservação da saúde. O mais importante de tudo isso é um conceito integrativo no qual não há espaço para fragmentação do organismo, a dualidade MENTE-CORPO, emoções e razão, energia e forma.
Cada vez mais, está ocorrendo essa troca de benefícios entre as diversas medicinas diferentes. As medicinas tradicionais, não têm como demonstrar com o rigor e a cientificidade da experimentação e da observação sistematizada, o que a moderna medicina ocidental realiza, nem competir com o trabalho avançado de classificação de doenças através de sintomas e sinais, uma vez que só os recursos tecnológicos atuais permitem esse avanço da biomedicina.
Compreendendo que no futuro deveria haver apenas única medicina, a complementaridade das medicinas tradicionais sobretudo a chinesa e outras práticas médicas como HOMEOPATIA, só poderá trazer mais benefícios para toda humanidade. Esse conceito de complementaridade e interdependência, tipicamente chinês poderá unir os aspectos positivos de várias medicinas na construção de uma integralidade do conceito de saúde.
Do ponto de vista clínico no entanto, um novo olhar para a mudança de perfil epidemiológico da demanda de pacientes redireciona a necessidade do processo de fusão entre as duas medicinas em futuro breve. Devendo continuar o aproveitamento do que há de bom nas duas, uma na procura e investigação precisa das doenças e a outra propondo um tratamento mais preventivo e simplificado, com menos efeitos colaterais para 80 % dos problemas de saude mais comuns, solucionáveis no cotidiano ambulatorial. Conhecendo as limitações das duas medicinas , ambas podem trabalhar em conjunto para a saúde dos homens. Se não curar , palavra um tanto forte na atualidade , temos a obrigação de aliviar e trabalhar para diminuir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Honno, o que é.
HONNO é um método oriental que visa resgatar o estado natural, criativo, de harmonia e de integração do ser humano com os seus semelhantes e com a Natureza. Através do HONNO, é possível vivenciar um intenso relaxamento e plenitude.
O homem moderno possui um ritmo de vida alucinante, sem tempo para cuidar de sua saúde, de seu bem estar, de suas necessidades e anseios legítimos. Vive-se, ou melhor, sobrevive-se alienado de si mesmo, com mente e corpo dissociados, com pensamentos incessantes, irritabilidade, insatisfação, enfim, baixa qualidade de vida.
A proposta do HONNO é proporcionar meios de se disponibilizar recursos internos inatos para se alcançar uma vida com mais harmonia, bem estar, saúde e felicidade.
Os benefícios do HONNO são:
Mobilizar o potencial de auto-regeneração, de auto-cura.
Permitir a liberação de afetos bloqueados.
Despertar talentos inatos.
Desenvolver a intuição e a concentração.
Promover serenidade e insights.
Favorecer a espontaneidade e a flexibilidade mental (resiliência).
Estes objetivos são alcançados através de movimentos terapêuticos, com o auxílio de exercícios, posturas, respirações, relaxamento e meditação.
No HONNO também se utiliza a Mobilização do Qi Mental, associada à Acupuntura ou ao Shiatsu.
O terapeuta HONNO desenvolve seu trabalho, geralmente, com grupos em Workshops.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Honno: a Essência da Medicina Oriental
Este livro aborda, pela primeira vez no Ocidente, um assunto especialmente inusitado que se refere à Essência da Medicina Oriental sob a ótica do movimento da natureza humana. É uma obra surpreendente e fascinante.Ao mesmo tempo em que discute a relação do homem com a natureza, descreve de forma brilhante a criação do conhecimento humano a partir de um novo paradigma educacional. Trata-se de um trabalho ímpar que valoriza as virtudes e as potencialidades humanas as quais se encontram adormecidas no inconsciente e que necessitam ser despertadas para que o homem possa, pela explicitação do conhecimento, promover a saúde e o bem-estar.
O autor, único brasileiro que há 30 anos vivenciou o Processo Honno-Ho no Japão, durante seu curso de mestrado nesta área, tem o dom notável de explicar os conceitos orientais complexos em uma linguagem acessível. Ele leva o leitor numa jornada fascinante ao mundo da Inteligência Criativa, visando a produção de talentos, e ao estudo e a prática do Movimento Original da Natureza Humana em busca do bem-estar e da felicidade.
Os fundamentos da Medicina Oriental são, literalmente, sacudidos pelos princípios humanistas o Honno-Ryoho para que a integração de conhecimentos e práticas orientais de saúde sejam resgatados e, assim, não se perder essa jóia da cultura da humanidade.
